Rio de Janeiro Lidera Ranking Negativo de Representação Feminina nas Câmaras Municipais
Levantamento revela que 25 cidades fluminenses não possuem nenhuma vereadora, evidenciando a desigualdade de gênero na política municipal do estado
Por Kaká Amaral
Publicado em 03/04/2025 13:19
Política

Um levantamento recente expôs um cenário alarmante no estado do Rio de Janeiro: a pior representação feminina nas câmaras de vereadores do país. Dos 92 municípios fluminenses, 25 não possuem nenhuma mulher ocupando cargo no legislativo municipal. Entre essas cidades, destaca-se Armação dos Búzios, na Região dos Lagos.

Apesar de as mulheres representarem 52,8% da população do estado, apenas 9% das cadeiras nas câmaras municipais são ocupadas por elas, enquanto a média nacional é de 18%. Essa disparidade evidencia a profunda desigualdade de gênero na política municipal do Rio de Janeiro.

As cidades sem representação feminina na Câmara Municipal correspondem a 27,17% do total de municípios do estado. A lista inclui, além de Búzios, municípios populosos como Nova Iguaçu, Mesquita, Itaboraí e Paraty, demonstrando que a falta de vereadoras não se restringe a pequenas cidades.

Segundo o Observatório Nacional da Mulher na Política, o Rio de Janeiro registrou, na eleição de 2024, a menor taxa de candidaturas femininas do país, com apenas 34,3%. Esse percentual é pouco superior ao limite legal de 30% exigido para cada gênero. Especialistas apontam que a violência e a criminalidade são alguns dos fatores que desestimulam a participação feminina na política, tornando o cenário ainda mais desafiador para mulheres que desejam concorrer a cargos eletivos.

Diante desse contexto, o Senado iniciou a tramitação de uma proposta para alterar o Código Eleitoral. A medida busca substituir a exigência de 30% de candidaturas femininas por uma cota fixa de 20% para mulheres eleitas. Caso aprovada, essa regra garantiria a presença de pelo menos duas mulheres em cada câmara municipal do país, independentemente do percentual de candidaturas.

A proposta levanta debates sobre sua eficácia e possíveis impactos na representatividade feminina nos espaços de poder. Enquanto alguns defendem que a medida garantiria uma presença mínima de mulheres no legislativo, outros argumentam que a solução ideal seria incentivar candidaturas femininas viáveis e fortalecer a participação política das mulheres de forma estrutural.

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